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​ANSIEDADE (D)E DESEMPENHO - PASSAR NOS EXAMES E VENCER NA VIDA

​Cada vez mais chegam à consulta crianças, adolescentes e até jovens adultos que nos procuram numa situação de frustração e desânimo relativamente ao seu desempenho. Seja na escola, faculdade, em testes e exames, seja em relação ao desporto ou outras provas, aparecem desmotivados, profundamente ansiosos e incrédulos nas suas capacidades.

​Reflicto acerca do que os terá levado a essa dúvida e ao desinvestimento progressivo em aspectos tão naturais na infância, que é a curiosidade e o espanto, a imaginação prodigiosa, a mente aberta em relação ao mundo e a si próprios. É como se vivessem num espaço limitado na sua mente, que parece disparar respostas como “Não sou capaz!”, “Não consigo!” ou “Não vale a pena...” aos seus sonhos e potenciais iniciativas.



Como é que a sua mente aprendeu estas mensagens limitadoras? O que as mantém? E, mais importante, como as alterar para criar outras e mais realistas possibilidades?


Acho, por vezes, que estes jovens se esqueceram de acreditar em si próprios. Ou, simplesmente, não tiveram a oportunidade de aprender a fazê-lo. ​O contexto escolar tende a reproduzir a insanidade de uma sociedade hipercompetitiva, em que o sucesso é avaliado em métricas estreitas e limitadoras, e o erro e a tentativa são vistos como um desperdício e um sinal de fraqueza.

Eles vão aprendendo a descredibilizar o valor da experiência, do pensamento reflexivo e da imaginação, e a dar mais valor ao “sucesso”. Rapidamente se confunde o resultado com o processo e se perde de vista o valor do trabalho de descoberta. Porém, é na descoberta e na imaginação que se ensaiam os cenários, que se vão materializando na realidade, quando são investidos com energia e acção.

Rapidamente também se vai perdendo a ligação emocional ao que fazem, o prazer de conhecer e descobrir. O objectivo passa a ser a nota positiva no teste, no exame, como se essa nota garantisse reconhecimento e valorização perante os outros. A nota deixa de ser o que é – uma avaliação num tópico específico e feedback em relação ao trabalho realizado, passando a assumir a dimensão de um rótulo da sua capacidade e inteligência, do seu valor humano.

​Confrontados com a possibilidade de não obter o resultado perfeito ou desejado, surgem todos os sinais de alerta – a procrastinação, o evitamento das tarefas, o desespero do cansaço dos TPCs e dos trabalhos de grupo, o desinteresse e desligamento emocional. Alguns sentem a necessidade de corresponder e avançar, para cumprir o esperado e respirar fundo... pelo menos desta vez conseguiram “provar o seu valor”; outros nem tanto.

Nas crianças e adolescentes, os Pais assistem à aparente inércia, ao bloqueio, à energia que é canalizada para dentro, para a dúvida sobre si próprios ou para a acção sem foco, e apercebem-se da ansiedade crescente, muitas vezes sem pistas para interromper este ciclo. Alguns pais e professores, na tentativa de motivar, apresentam incessantemente os resultados, que não atingem os objectivos, focando-se no filme a que não querem assistir e contribuindo, sem se darem conta, para a sua manutenção.

Quem espelha o potencial destes miúdos? Quem é que pensará o verdadeiro sucesso com estes jovens? O que será, para cada um, o sucesso?


Parece claro que nesta lógica imediatista, o sucesso é ter boas notas/ser bom num desporto/tarefa/competência, para ser reconhecido, distinguir-se, ser apreciado e aplaudido pelos outros. Para os adultos, será seguir o plano até conseguir o trabalho, o dinheiro, a relação, enfim... o que corresponder ao objectivo, sentindo-se seguro das suas competências. Essa característica fica associada à pessoa e à sua identidade. Qualquer situação que possa desafiar a pensar diferente, experienciar, pode pôr em causa esta noção de si e, naturalmente, a pessoa vai deixando de arriscar, de se interessar, vai perdendo o contacto com o prazer de descobrir.


SUCESSO E DESEMPENHO:

UM CAMINHO DE DENTRO PARA FORA


Ao longo do desenvolvimento, porém, o sucesso apresenta-se de diferentes formas – ser bem sucedido é criar a sua própria identidade, estabelecer relações harmoniosas, menos ou mais próximas com os outros, pares e adultos, descobrir o mundo e as suas regras, sentir segurança e confiança em si próprio – conhecer-se, na verdade, para criar na sua mente o filme que espelha o seu valor humano e o seu potencial pleno, estando aberto à hipótese de tentar, de aprender, de falhar e de ser capaz.

Tudo isto não é claro, não é uma nota num cabeçalho nem um resultado numa pauta, é uma emoção positiva e entusiasmo que vão crescendo por dentro até se materializarem no exterior.

​A questão é: quando é que esta pessoa, e quem nos lê, vai começar a criar o seu filme, na sua mente? O filme certo para si, o que o impulsiona para a confiança e realização plena? O que poderá estar no seu caminho? E quais as ferramentas que já tem para desenhar o enredo à medida dos seus sonhos mais realistas e materializáveis?


Se é pai ou mãe de alguém em quem reconhece estes sinais de ansiedade de desempenho, o que poderá fazer e dizer para ajudar a criar o enredo da segurança e capacitação?

Tanto na Psicoterapia como na consulta de Hipnose Clínica, focamo-nos nas ferramentas que já existem e trabalhamos aspectos essenciais para resgatar o que é natural em cada um – a criatividade e imaginação, que provêm também da ligação a este lado mais pulsional e rico, ao que nos compele à vida e ao prazer, para criar o "filme" que faz sentido.

Aí, as acções são focadas, tudo é ensaiado ao pormenor até ser fluído e as personagens são trabalhadas para que a acção se traduza na certeza da competência e do empenho necessário para o desempenho pretendido. Nesse filme, a segurança é tanta que todos sabem o que fazer e para quê. Com essa confiança plena, as tarefas cá fora são a face visível da segurança interna, que acontecerá também noutras áreas da vida.

Fica feito o convite, para que não se conforme com um filme que não é o seu. Marque a sua consulta e juntos vamos reescrever esta história, para ter um final feliz.





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